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    O técnico que não rolou

    Então de repente aquela garota linda que você dava em cima fazia meses resolveu te dar bola e topou seu convite pra ir tomar aquela cerveja. E você fica espantado, achando-se o bonzão e tal, “resolveu chover na minha horta, enfim”, e aí você sai com a garota e é aquele fiasco.
    Porque você nunca tinha percebido, afinal de contas jamais havia chegado tão perto, mas ela tem mau hálito. Reclama que é muito barulhenta aquela música especial dos Beatles/U2/Van Halen/Nei Lisboa (escolha aqui seu preferido) que você deixou programado pra tocar no rádio assim que ela entrasse no carro, pra criar um clima. Não liga se a cerveja é Original ou Itaipava. Pergunta se no bar não tem uma salada de rúcula em vez dessa porção de provolone à milanesa que é muito gordurosa. Faz cara de nojo com o seu beijo. O sexo é uma decepção. E fica te ligando hora sim hora não e reclamando que você está com os camaradas e não fazendo companhia a elazinha. Depois de um ou dois meses, você percebe que a coisa não rolou e vai cada um para seu lado – ela já nem parece tão bonita assim.
    Bom, é mais ou menos essa a sensação do torcedor do Palmeiras com o Muricy, hoje, depois de ver que o título brasileiro foi para o beleléu por um nariz pelo terceiro ano consecutivo – sem que ao menos tivéssemos a chance de lutar honradamente até a última rodada.
    O anúncio do Muricy foi como um bálsamo para quem ficou um ano e meio sendo enganado por um ex-técnico de alto nível que hoje prefere exercer sua arte em institutos e mesas de pôquer Sudamerica afora. Para nós, que víamos de fora, ele representava exatamente o oposto do profexô: um cara que colocava o trabalho como prioridade, que se preocupava com o que acontecia dentro das quatro linhas, que ensaiava jogadas e posicionava os jogadores certos nos lugares exatos. Se o time parecia estar voando com o interino Jorginho, com o Muricy o título seria uma barbada.
    Qual o quê a mãe do guarda, diria o outro. A estreia já não foi das mais animadoras: um magro 1 a 0 em cima do já enrolado Fluminense, que não vinha jogando lhufas, seguido de outro magro 1 a 0 contra o outrora assustador Sport, num joguinho horroroso no qual ganhamos com um gol contra.
    Ainda assim, os encontros jogos foram se sucedendo e o namoro campeonato parecia estar indo cada vez melhor. O ápice foi aquele jogo contra o Cruzeiro, uma segurada heroica com um a menos, na casa do adversário. Parecia tudo perfeito.
    Mas aí o bicho começou a pegar. Nos últimos oito jogos, o Palmeiras conseguiu uma mísera vitória, desempenho inadmissível para quem sonha em ir para o altar ser campeão. Ontem, contra o Sport, mais uma vez aquela sensação de “puta la merda, o que a gente fez pra merecer isso, San Gennaro?” bateu fundo no torcedor palmeirense. O segundo gol do Sport me deixou numa sensação ridícula de querer urgentemente bater em alguém, mas não bastava ser qualquer um, tinha que ser um daqueles caras de verde dentro do gramado do Palestra.
    Ou no tio de boné ali fora. Ok, ele não tem culpa de o Pierre, o Mauricio Ramos e o Cleiton Xavier terem se machucado bem na reta final, de o Diego Souza ser um fanfarrão que tem o hábito de brincar de esconde-esconde na ponta-direita em jogos difíceis e de o Vagner Love ter perdido o futebol nas trancinhas azuis que chegaram com ele da Rússia.
    Mas o Muricy tem culpa, sim, de insistir com o Marcão e o Edmílson, de não criar uma maldita jogada de ataque que não seja o safado do chuveirinho na área, de não conseguir fazer a defesa acertar o posicionamento de forma a evitar gols patéticos como os de hoje, em que os caras do Sport fizeram o que quiseram, ou como o do Fred, que cabeceou sozinho, sem marcação – com o Marcão a meio metro, como eu insisto desde maio.
    Não estou dizendo aqui que o Muricy é um mau técnico. Ele pode ser um ótimo treinador, assim como a moça lá do primeiro parágrafo continua sendo linda. Só que não é pra mim pro meu time. É melhor partir pra outra.

    Por Fernando 01:00  

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