"Faz meses que eu tô falando que você tem que ir no médico, ver como está sua pressão, fazer um exame de sangue. Você está gordo demais, tem que fazer um regime, se cuidar direito. Não é mais criança, e não esqueça que agora você tem um filho."
O discurso recorrente da Camila é sempre recebido com um olhar de aceitação e murmúrios de "é, eu sei", porém com índice zero de ação prática. Mas, depois da vitória de ontem do Palmeiras sobre o Cruzeiro, posso responder a ela que, pelo menos na parte cardíaca, vai tudo bem.
Não precisou nem de cinco minutos para ver que a coisa ia ser osso: antes disso, o lamentável Wendel deu margem a reclamações cruzeirenses e a dúvidas sobre sua sexualidade ao fazer um CHAMEGO no calção do Kléber, que se estatelou no chão pedindo pênalti, ignorado pelo árbitro - que não era bom nem ruim, nem honesto nem ladrão safado, era o Roman.
"Nâo foi nada, mal relou", disse eu entrando em chamas. "Sssssssshhhhhhh", rebateu a patroa com cara de enfermeira de quadro de silêncio de hospital, enquanto tentava fazer o Davi dormir. Minutos depois, após novo cumprimento da Teoria das Entregadas Marcãozistas, voltei a me exaltar e a levar bronca. Desta vez valeu, pois um minuto depois o Verdão empatou a peleja, e o golaço de Diego Souza foi devidamente comemorado com socos no ar e o mais completo silêncio.
Num 4-4-2 supostamente ofensivo, com dois meias e dois atacantes, o Palmeiras perdia o meio para o batalhão de volantes de Adilson Batista e testava os nervos de seu torcedor, permitindo que o Cruzeiro ficasse o tempo todo com a PELOTA e dando seguidos sustos, como no quase pênalti de Jumar no Fabricio. (É fato que o Jumar pegou o 5 cruzeirense como um trator sem motorista descendo a megarrampa, mas depois de o Fabrício chutar. Sem contar que a própria presença de Jumar no time já é uma penalidade máxima. E, como o Roman já nos havia garfado contra o Goiás, os raposos que vão se queixar com o Angelical Hélio.)
No segundo tempo, Muricy colocou mais um zagueiro no lugar do despercebido Robert, para tentar marcar melhor o Marcão e o Jumar. Love virou o jogo num mortal contra-ataque, e quando parecia que as artérias teriam uma folga, Armero foi expulso, abrindo o segundo capítulo do eletrocardiograma caseiro.
A bem da verdade, porém, por mais que tenha ficado com 130% da posse de bola na etapa final, o Cruzeiro só criou duas chances reais de arrepiar os cabelos verdes, na bola de Kleber que acertou a trave e na cabeçada de LEONARDO SILVA que arrancou tinta do mesmo poste. De resto, foi um domínio estéril, com excesso de chuveirinhos e chutes sem direção.
Assim, nem mesmo o INEFÁVEL Marcão impediu a vitória do Palmeiras, que agora abriu três pontos sobre o São Paulo e garantiu a permanência no topo do ADIBJATENÃO-2009, campeonato que, por mais que esperneiem os críticos dos pontos corridos, insiste em testar minhas coronárias. Se fosse ter final, com Marcão na zaga, eu precisaria mesmo marcar logo um médico.
Fotos de Washington Alves/Vipcomm. Publicado também no Impedimento
