01/09/2009

Abaixo o saudosismo

Uma coisa irritantemente unânime no relato do clássico de domingo é dizer que o jogo foi "chocho", "sem graça", "sem emoção" e tudo o mais, só porque o jogo foi 0 a 0. Um discursinho safado de quem mal viu o jogo, ou simplesmente o viu com aqueles olhos de viúva do futebol-arte, de gente que não consegue valorizar a beleza que pode existir num jogo duro e disputado, mesmo que ele termine um 0 a 0.
O Barneschi tem a tese dele, de que essas pessoas não veem o jogo com olhos de torcedor. É uma opinião e eu concordo parcialmente com ela, mas, para mim, o problema é mesmo esse saudosismo que boa parte da crônica esportiva nacional tem do que não viu. Ou, na real, do que nunca existiu de fato.
Assim, os caras se queixam de que o jogo foi muito truncado e sem lances de efeito, como se Pelé só tivesse tocado na bola de calcanhar, Zico tivesse batido todas as suas faltas na gaveta e Carlos Alberto Torres tivesse afastado todos os marcadores sem fazer uma faltinha sequer. São os mesmos que enaltecem o futebol-arte de Telê Santana e se esquecem de que o "Mestre" (aspas, por favor) só deixou de ser um perdedor pé-frio e virou "Mestre" (aspas, muitas aspas) quando se deu conta de que um meio-de-campo precisa também de Dinhos e Pintados, e que não se ganha Copa do Mundo só com Falcões e Cerezos.
Não se trata aqui de incensar brucutus em detrimento da beleza. É claro que eu gosto de ver futebol bem jogado, que acho o Diego Souza mais jogador do que o Pierre e que adoraria ver meu time ser campeão com 100% de aproveitamento e média de 4 gols por partida. Mas é preciso saber valorizar também a competitividade, a disputa, o equilíbrio, e ver que espetáculo não é só firula, chapéu e pedalada.
O que eu achei do jogo? Só pra constar, já que já se passaram dois dias, achei que o primeiro tempo foi bem bom, agitado, com o Palmeiras melhor no começo e o São Paulo reequilibrando a partir dos 20 minutos, não por coincidência na hora em que o Marcão entrou no Palmeiras. E que no segundo tempo a coisa realmente ficou mais feia, porque, bobo que não é, o Muricy viu que eles estavam levando vantagem no meio-de-campo e decidiu mocosar o jogo para garantir um empate que, se não era o nosso resultado dos sonhos, era muito melhor para nós do que para eles.
É preciso levar tudo isso em conta, não? Quantas decisões de Brasileiro não terminaram 0 a 0, inclusive na saudosa, querida e idoltrada década de 70, e nem por isso esses times foram menos aclamados. Questão de contexto: clássico, rivalidade exacerbada por conta da questão Muricy, classificação aproximada, era óbvio que esse jogo não ia ser 5 a 4 pra ninguém. Louco era quem pensava isso.
Faz parte do espetáculo. Na íntegra, nos 90 minutos, nem a seleção de 70 foi a Seleção de 70, com caixa alta. Então, saudosistas ranzinzas de videotape, encham menos o saco e guardem todo esse mau humor para quando ele for realmente justo. No clássico de domingo, não era o caso.

2 palpites:

Fábio Martins disse...

Nandão,

O primeiro tempo foi ótimo mesmo. Mas o segundo foi meio broxante. Mas é foda aqguentar esse povo saudosista de merda e defensores do 'futebol arte' de antigamente. Esquecem que Pelé saiu de uma copa na porrada e Zico quase teve a carreira encerrada por causa de entrada duríssima também. Esquecem que antes de 70 não tinha cartão e o pau comia solto.

Abraços

Randall disse...

Então, eu acho que o jogo foi meio ruim, mas a culpa de não ter sido tão bom foi dos bambis. Eles tinham a obrigação de abrir um pouco mais o jogo, mas não quiseram. Daí, compreensível a postura do Palmeiras de não correr riscos em nome do "espetáculo". E é tudo ponto de vista, achei o 4 x 0 do Inter no Goiás um jogo muito mais feio... abraço! Tou devendo a visita no Evairzinho! Não se esqueça, a Laura realmente acha que ele se chama Evair, não estrague a brincadeira!