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    Tudo muda

    São nove meses de ansiedade e expectativa. No nosso caso, medo, um pouco de angústia, descolamento de placenta pra cá, onfalocele pra cá, um monte de palavras complicadas, medo, expectativa, tensão e ansiedade, até que chegou o dia 9 de julho e tudo correu maravilhosamente bem. E, no momento em que você ouve o primeiro choro, você percebe que sua vida nunca mais será a mesma.

    E como muda. Muda o seu jeito de encarar a vida, o seu desejo de ir logo embora do trabalho para chegar alguns minutos mais cedo em casa, mesmo que seja apenas para olhar para ele enquanto dorme.

    E como dorme. E a gente, que é pai tonto de primeira viagem, fica às vezes tão assustado com tamanho silêncio que resolve dar uma olhada mais de perto e até uma mexidinha no nariz pra ver se não tem nada de errado com o bichinho.
    Mas também tem as horas que ele não está dormindo. E aí, são grandes as chances de ele estar chorando. Berrando, melhor dizendo. Um choro contínuo, alto, forte, que assusta, porque sem o menor motivo ou explicação - pelo menos para quem não entende a linguagem dos bebês. Pode ser gases, cólica, fome, frio, dor de ouvido - pode ser qualquer coisa, mas criança não vem com manual de instruções ou partitura, do tipo "Choro em Lá, fome; choro em ré menor, frio; choro em fá sustenido, cólica". E haja agonia e desespero até que, do nada, como se de repente um botão on/off tivesse sido apertado, ele para de chorar e dorme de novo, como um perfeito anjinho.

    Mas o mais importante que eu já consegui descobrir neste mês que se passou desde a chegada do Davi é que basta um pequeno olhar, como esse acima, com esses olhinhos lindos como os da mãe, para ver que minha vida nunca mais será a mesma; e que, por mais problemas, dificuldades, transtornos e confusões que aconteçam, ela sempre será melhor do que antes.

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