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    4. Oasis, "Supersonic"

    Comprei o livro do Petillo, Noite Passada um Disco Salvou Minha Vida, e tem lá umas coisas muito legais, como o texto do Alex Antunes, um depoimento meio emocionante do Léo Jaime, e eu já dei aqui a minha resposta, seca e direta pra essa pergunta.
    O disco que "salvou minha vida" é o (What's The Story) Morning Glory, do Oasis, que um amigo jogou na minha mão em algum lugar de 1997, quando a gente tava envolvido com coral e com banda (tá, eu não era propriamente da banda, mas como um dos caras de casa era o vocalista, e vira e mexe eles ensaiavam por lá, e eu ajudava os caras a montar equipamento e passar o som - "abaixa a guitarra, sobe o baixo" - e ainda tomei muita cerveja de graça como sendo "da banda", então realmente eu estava envolvido) e ouvia muito heavy metal, porque meu companheiro de quarto praticamente só ouvia metal, e estava quase começando a achar Manowar e Halloween legais.
    Até que o Bimbo, que fazia Computação e era o guitarrista da banda, mostrou o CD pra mim. E falou: "Olha, ouve essa faixa 9 ("She's Electric"), quem sabe a gente não pode tocar num set acústico, você faz a percussão (eu me metia a tocar percussão na época) e a gente coloca no show com mais algumas mais calminhas". Eu já tinha ouvido o Oasis, "Don't Look Back in Anger" estava em alta no rádio ("Pô, chuparam 'Imagine' na caruda!"), mas ouvir aquele disco direto, de "Hello" a "Champagne Supernova", fez um estrago nos meus conceitos musicais. "Pô, dá pra fazer música boa, legal, sem ficar distorcendo a guitarra e se esgoelando feito um débil mental", pensei. Tá, eu já gostava de Beatles, desde os 11 anos, mas é outra história. Beatles estava no passado. Aquilo era o presente, o real, vivo, pulsante.
    Depois, um cara da minha classe me emprestou o primeiro disco deles. E "Supersonic" caiu como uma luva no redemoinho que era minha cabeça (essa dúvida musical, mais um namoro mal sucedido, que levou seis meses pra começar e acabou com menos de dois). "You have to be tourself..."
    Em 98, eu, a Ana, a Miriam que hoje tá no Japão (e às vezes lê escondida aqui, podia se manifestar) e o Felipe, o cara que me emprestou o disco, fomos no show do Oasis no Sambódromo. De carona, de Bauru a SP, uma das viagens mais emocionantes de nossas vidas: os quatro espremidos no banco de trás de um Fiesta de uma empresa de segurança privada, com dois caras totalmente pirados se revezando a mais de 180 km/h no volante. E ainda deixaram a gente na Ponte da Casa Verde - Bauru-Anhembi em menos de três horas, foi foda. E até hoje me lembro da sensação arrepiante de ver "Supersonic" ao vivo. Depois, do Oasis eu conheci o Blur, depois o Pulp, fui prestar atenção em Smiths e aí fodeu...
    O Oasis voltou em 2001, só que eu estava duro, não consegui folga no trampo e acabei não indo para o Rock in Rio, mas tenho o show até hoje gravado. E nem foi um baita show. Agora o Oasis vem de novo, e eu novamente vou estar duro, por isso me consolo uva-verdemente pensando que os últimos discos deles não são nem sombra dos dois primeiros. Mas bem que, se eu estivesse lá, na hora em que o Noel tocasse os primeiros acordes de "Supersonic", certamente uma lágrima marota poderia tentar rolar.

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