12/12/2003

Questão de enquadramento

"É tudo culpa do Oasis (...) É tudo culpa da música POP, da literatura POP, dos filmes POP, da internet. A gente ficou assim e agora não temos mais rumo, somos parte de um gueto e nos sentimos incompreendidos. Uma merda. Mas eu prefiro ser assim do que dançar axé e achar o máximo!"
Eu nem sei se a autora desse texto vai reconhecê-lo, foi um e-mail de uma série que a gente trocou há pouco mais de um mês, sobre um relativo afastamento nosso em relação a uma turma maior de amigos. Não que a gente tenha deixado de gostar das pessoas, ou de freqüentar os mesmos ambientes. O problema é que eles dificilmente aceitam os convites pra ir nos lugares que a gente curte, onde a gente se sente bem. E de quem é a culpa? Do maldito gosto pelo pop, pelo indie (não tenho problemas com esse rótulo).
Eu sei quando isso começou comigo. Foi nas férias de meio do ano de 1996, quando a recém-chegada 89 FM de Sorocaba tocava a todo momento "uma música que chupa a introdução de 'Imagine'". "Don't Look Back In Anger" foi a minha porta de entrada.
Meses depois, em Bauru, o Bimbo, guitarrista do Anonimato, famosa banda do circuito unespiano da época na qual eu era roadie-colaborador-xereta, me emprestou o (What's The Story) Morning Glory. "Cara, ouve essa 'She's Electric'", ele me dizia. "É muito Beatles, muito massa, a gente precisa tirar essa música, só no violão e percussão!"
No fim, o Bimbo largou a faculdade e voltou para casa, no Paraná, eu comecei a trabalhar e parei de xeretar, e a banda acabou logo em seguida. Mas aquele CD do Oasis fez um estrago na minha vida. Daí para outros britânicos, para o resto do mundo pop... e fodeu. Porque é como o Thomas Mann disse: a música é capaz de deixar a gente apático, desinteressado de outras coisas, imerso. Falando nisso, deixa eu escutar um pouco de Oasis velho pra matar a saudade...