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    As viagens

    Quando eu conto que trabalho em São Paulo, mas moro em Sorocaba, e pego quase diariamente o ônibus da Viação Cometa, a reação invariavelmente é parecida:

    – Nossa, mas não é longe?
    - Bem, fica a uns 90 quilômetros, dá mais ou menos uma hora e meia de viagem.
    - E quanto tempo demora?
    - Para vir, na hora do almoço, umas duas horas por causa do trânsito pesado na Marginal do Tietê. Para voltar, à noite, uma hora e meia ou menos, dependendo do peso do pé direito do motorista.
    - Mas não seria mais fácil morar aqui?
    - Seria, mas tenho minhas razões. E a grana compensa, mesmo sendo caro. Seria ainda mais caro comprar um apartamento aqui em São Paulo, sem contar que minha mulher teria de parar de trabalhar – ou ela começar a viajar, o que dá basicamente no mesmo.
    No começo de 2009 mudei de horário de trabalho, passando a entrar por volta das 8h, o que me obrigava a levantar antes das 5 da manhã para chegar a tempo. Ainda assim, continua valendo a pena, até porque a sensação de chegar em Sorocaba à luz do dia é indescritível.

    Durante a pós, escrevi uma longa reportagem-ensaio a respeito do tema, chamada "Na Cauda do Cometa", que já foi publicada em capítulos neste blog em janeiro de 2008 e pode ser encontrada pela tag equivalente ou neste link. Alguma coisa mudou de lá para cá, principalmente o preço da passagem, que hoje custa 18 mangos na boca do caixa na Rodoviária de Sorocaba, 19 na Barra Funda, 16 comprada com o motorista e um valor variável entre 12 e 14 reais no câmbio negro. Um dia, com um pouco de tempo e coragem, e mais as novas histórias que já começam a ser coletadas, eu transformo isso em livro. Por enquanto, curtam por aqui.

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    Notas de viagem, por Fernando Cesarotti