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    O técnico que não rolou

    Então de repente aquela garota linda que você dava em cima fazia meses resolveu te dar bola e topou seu convite pra ir tomar aquela cerveja. E você fica espantado, achando-se o bonzão e tal, “resolveu chover na minha horta, enfim”, e aí você sai com a garota e é aquele fiasco.
    Porque você nunca tinha percebido, afinal de contas jamais havia chegado tão perto, mas ela tem mau hálito. Reclama que é muito barulhenta aquela música especial dos Beatles/U2/Van Halen/Nei Lisboa (escolha aqui seu preferido) que você deixou programado pra tocar no rádio assim que ela entrasse no carro, pra criar um clima. Não liga se a cerveja é Original ou Itaipava. Pergunta se no bar não tem uma salada de rúcula em vez dessa porção de provolone à milanesa que é muito gordurosa. Faz cara de nojo com o seu beijo. O sexo é uma decepção. E fica te ligando hora sim hora não e reclamando que você está com os camaradas e não fazendo companhia a elazinha. Depois de um ou dois meses, você percebe que a coisa não rolou e vai cada um para seu lado – ela já nem parece tão bonita assim.
    Bom, é mais ou menos essa a sensação do torcedor do Palmeiras com o Muricy, hoje, depois de ver que o título brasileiro foi para o beleléu por um nariz pelo terceiro ano consecutivo – sem que ao menos tivéssemos a chance de lutar honradamente até a última rodada.
    O anúncio do Muricy foi como um bálsamo para quem ficou um ano e meio sendo enganado por um ex-técnico de alto nível que hoje prefere exercer sua arte em institutos e mesas de pôquer Sudamerica afora. Para nós, que víamos de fora, ele representava exatamente o oposto do profexô: um cara que colocava o trabalho como prioridade, que se preocupava com o que acontecia dentro das quatro linhas, que ensaiava jogadas e posicionava os jogadores certos nos lugares exatos. Se o time parecia estar voando com o interino Jorginho, com o Muricy o título seria uma barbada.
    Qual o quê a mãe do guarda, diria o outro. A estreia já não foi das mais animadoras: um magro 1 a 0 em cima do já enrolado Fluminense, que não vinha jogando lhufas, seguido de outro magro 1 a 0 contra o outrora assustador Sport, num joguinho horroroso no qual ganhamos com um gol contra.
    Ainda assim, os encontros jogos foram se sucedendo e o namoro campeonato parecia estar indo cada vez melhor. O ápice foi aquele jogo contra o Cruzeiro, uma segurada heroica com um a menos, na casa do adversário. Parecia tudo perfeito.
    Mas aí o bicho começou a pegar. Nos últimos oito jogos, o Palmeiras conseguiu uma mísera vitória, desempenho inadmissível para quem sonha em ir para o altar ser campeão. Ontem, contra o Sport, mais uma vez aquela sensação de “puta la merda, o que a gente fez pra merecer isso, San Gennaro?” bateu fundo no torcedor palmeirense. O segundo gol do Sport me deixou numa sensação ridícula de querer urgentemente bater em alguém, mas não bastava ser qualquer um, tinha que ser um daqueles caras de verde dentro do gramado do Palestra.
    Ou no tio de boné ali fora. Ok, ele não tem culpa de o Pierre, o Mauricio Ramos e o Cleiton Xavier terem se machucado bem na reta final, de o Diego Souza ser um fanfarrão que tem o hábito de brincar de esconde-esconde na ponta-direita em jogos difíceis e de o Vagner Love ter perdido o futebol nas trancinhas azuis que chegaram com ele da Rússia.
    Mas o Muricy tem culpa, sim, de insistir com o Marcão e o Edmílson, de não criar uma maldita jogada de ataque que não seja o safado do chuveirinho na área, de não conseguir fazer a defesa acertar o posicionamento de forma a evitar gols patéticos como os de hoje, em que os caras do Sport fizeram o que quiseram, ou como o do Fred, que cabeceou sozinho, sem marcação – com o Marcão a meio metro, como eu insisto desde maio.
    Não estou dizendo aqui que o Muricy é um mau técnico. Ele pode ser um ótimo treinador, assim como a moça lá do primeiro parágrafo continua sendo linda. Só que não é pra mim pro meu time. É melhor partir pra outra.

    Um time de bundões

    O duro não é só perder. Com isso eu estou habituado, afinal eu nasci em 1978, cresci palmeirense nos anos 80, época da fila, das vacas magras, dos times que morriam na beira de praia, que terminavam a fase de classificação em primeiro ou segundo e levavam fumo no mata-mata. A diferença é que aqueles times eram ruins pacas, mas tinham brio. Quem não esquece o carrinho do Aguirregaray na trave aos 48 minutos do segundo tempo contra a Ferroviária, no Paulista de 90?
    E este aqui é um Palmeiras formado por um bando de palermas, de marias-mijonas. "Ah, mas o juiz roubou". Tá, e que os jogadores do time prejudicado fizeram? Como reclamaram? Não fizeram nem uma mísera rodinha em volta dele ao fim do jogo. O Simon anulou o gol, o Obina saiu com cara de bosta, o Love virou as costas e voltou pra defesa com cara de enfado e ficou por isso mesmo. Pênalti no Danilo no segundo tempo, e não tem um safado de azul pra reclamar. Aí o adversário marca um gol e o time acaba, limita-se aos malditos e inúteis chuveirinhos da entrada da área.
    Muito pouco para quem quer ser campeão. Pouco futebol e pouco caráter. Quem quer uma taça se entrega, se dedica, dá o sangue, briga em todas as bolas, mesmo que isso às vezes pareça ser idiota e cause uma expulsão como a do Jean, do São Paulo, na quarta-feira. Eu prefiro esse tipo de estupidez ao marasmo de hoje no Maracanã. Se "aos mornos eu vomitarei", como diz o Apocalipse, esse time do Palmeiras tá na ponta da garganta, prontinho pra voltar goela abaixo.
    E, por fim, que joguem fora essa maldita camisa azul. A cor do Palmeiras é VERDE. VERDE. Já encheu o saco essa brincadeirinha idiota de ser italiano.

    Começou bem...

    Depois que o Flamengo fez o serviço sujo lá no Maracanã, resta agora esperar o Diego Souza arrebentar com a Bolívia em La Paz e depois fazer a lição de casa - fora de casa - na segunda-feira.
    Eu prefiro não falar pra não secar, mas faz muito tempo que eu não tenho a sensação tão clara do que pode acontecer de bom em dezembro. Por ora, fiquemos na expectativa.

    Bipolaridade verde

    Então o torcedor do Palmeiras ficou puto porque o Roman ia apitar o jogo contra o Cruzeiro, afinal o Roman já havia garfado a gente contra o Goiás e sei lá o que. E aí os comentários eram:
    - Porque nossa diretoria é omissa, não se mexe, não tem força nos bastidores, somos o Engenheiro Beltrão, temos de ganhar apesar disso e blablabla whiskhas sachê etc do raio que o parta.
    Aí o jogo foi o que foi: o Roman apitou obviamente pressionado, tudo o que achou duvidoso ele marcou a favor do Palmeiras (eu continuo com a opinião de que houve um pênalti e olhe lá) e aí o discurso foi mais ou menos assim:
    - Porque ganhamos mesmo com o árbitro, e quem vier reclamar que reclame porque sempre roubam a gente e blablabla whiskhas sachê etc do raio que o parta.
    Então, obviamente os Perrella recorreram ao jus sperneandi de todo perdedor e puseram a boca no trombone, dizendo que foram roubados, que o Roman não deu 23 pênaltis pro Cruzeiro e blablabla. Aí saiu a informação de que o Roman foi suspenso por causa da atuação. E nego voltou com o mesmo discursinho de antes:
    - Quando o Palmeiras protestou não adiantou nada, puseram ele para apitar contra a gente de novo. Agora que teoricamente o Palmeiras foi beneficiado os cruzeirenses reclamaram e ele foi punido, o que prova que nossa diretoria não tem força nos bastidores, temos de ganhar apesar disso e blablabla whiskhas sachê etc do raio que o parta.
    Cara, vou dizer, tem horas que é duro ser palmeirense, viu? Haja paciência pra suportar tanta bipolaridade.

    Checkup gratuito

    "Faz meses que eu tô falando que você tem que ir no médico, ver como está sua pressão, fazer um exame de sangue. Você está gordo demais, tem que fazer um regime, se cuidar direito. Não é mais criança, e não esqueça que agora você tem um filho."
    O discurso recorrente da Camila é sempre recebido com um olhar de aceitação e murmúrios de "é, eu sei", porém com índice zero de ação prática. Mas, depois da vitória de ontem do Palmeiras sobre o Cruzeiro, posso responder a ela que, pelo menos na parte cardíaca, vai tudo bem.
    Não precisou nem de cinco minutos para ver que a coisa ia ser osso: antes disso, o lamentável Wendel deu margem a reclamações cruzeirenses e a dúvidas sobre sua sexualidade ao fazer um CHAMEGO no calção do Kléber, que se estatelou no chão pedindo pênalti, ignorado pelo árbitro - que não era bom nem ruim, nem honesto nem ladrão safado, era o Roman.
    "Nâo foi nada, mal relou", disse eu entrando em chamas. "Sssssssshhhhhhh", rebateu a patroa com cara de enfermeira de quadro de silêncio de hospital, enquanto tentava fazer o Davi dormir. Minutos depois, após novo cumprimento da Teoria das Entregadas Marcãozistas, voltei a me exaltar e a levar bronca. Desta vez valeu, pois um minuto depois o Verdão empatou a peleja, e o golaço de Diego Souza foi devidamente comemorado com socos no ar e o mais completo silêncio.
    Num 4-4-2 supostamente ofensivo, com dois meias e dois atacantes, o Palmeiras perdia o meio para o batalhão de volantes de Adilson Batista e testava os nervos de seu torcedor, permitindo que o Cruzeiro ficasse o tempo todo com a PELOTA e dando seguidos sustos, como no quase pênalti de Jumar no Fabricio. (É fato que o Jumar pegou o 5 cruzeirense como um trator sem motorista descendo a megarrampa, mas depois de o Fabrício chutar. Sem contar que a própria presença de Jumar no time já é uma penalidade máxima. E, como o Roman já nos havia garfado contra o Goiás, os raposos que vão se queixar com o Angelical Hélio.)
    No segundo tempo, Muricy colocou mais um zagueiro no lugar do despercebido Robert, para tentar marcar melhor o Marcão e o Jumar. Love virou o jogo num mortal contra-ataque, e quando parecia que as artérias teriam uma folga, Armero foi expulso, abrindo o segundo capítulo do eletrocardiograma caseiro.
    A bem da verdade, porém, por mais que tenha ficado com 130% da posse de bola na etapa final, o Cruzeiro só criou duas chances reais de arrepiar os cabelos verdes, na bola de Kleber que acertou a trave e na cabeçada de LEONARDO SILVA que arrancou tinta do mesmo poste. De resto, foi um domínio estéril, com excesso de chuveirinhos e chutes sem direção.
    Assim, nem mesmo o INEFÁVEL Marcão impediu a vitória do Palmeiras, que agora abriu três pontos sobre o São Paulo e garantiu a permanência no topo do ADIBJATENÃO-2009, campeonato que, por mais que esperneiem os críticos dos pontos corridos, insiste em testar minhas coronárias. Se fosse ter final, com Marcão na zaga, eu precisaria mesmo marcar logo um médico.

    Fotos de Washington Alves/Vipcomm. Publicado também no Impedimento

    Maravilhas do esporte

    Trabalhar aos domingos, todos eles, não é das coisas mais fáceis. Mas, quando você se depara com momentos como este, dá ao menos um sentimento de compensação.



    Mas a foto do fim de semana esportivo, pra mim, foi esta:


    Divulgada pela BrawnGP, sem crédito para o autor, é uma rara união de informação e estética. Eu nunca fui de torcer pro Rubinho, até porque ele nunca fez muito por merecer, mas dessa vez estou nessa, não só por mera pachecagem ou por achar que vai ser bom pro negócio (e certamente vai), mas porque acho que ele merece, e se é para ser campeão um piloto que não é unanimidade (pra não dizer meia-boca), que seja o brasileiro e não o inglês.
    Ah, alguém falou de Palmeiras? Então, eu só queria lembrar, inclusive aos palmeirenses que já entraram em estado de desespero, que ainda somos líderes. E que importa, acima de tudo, estar em primeiro lugar após a 38ª rodada. O resto, bem, o resto é ruído.

    Obrigado por tudo

    Então diz que o Oasis acabou, mas o fato é que desde o Be Here Now que, na minha opinião, eles não fizeram nenhum disco revelante, um EP seria o suficiente para colocar as músicas realmente boas. Ainda assim, eu não tenho como negar que o Oasis é uma das cinco bandas da minha vida.
    E é claro que isso é uma escolha totalmente subjetiva, que não passa necessariamente por ser uma banda objetivamente boa ou apenas um rascunho mal-ajambrado dos Beatles. Na verdade, como eu já contei aqui e aqui, o Oasis foi trilha sonora de uma parte importante da minha vida, que inclui a formação não apenas do gosto musical, mas também da personalidade, e a criação de amizades pra vida toda.
    Por isso, agora que parece que eles acabaram pra valer, é hora de fazer uma homenagem, recordando as músicas que estiveram sempre por perto nas horas boas e ruins:

    5. "Don't Look Back In Anger"

    Sim, ela tem uma introdução chupada de "Imagine", mas foi a primeira coisa que eu ouvi do Oasis, eram as férias de julho de 97 e eu peguei meio sem querer no rádio, não tinha MTV em Bauru e eu tinha parado de ler a Bizz. "Que porra é essa?" Daí veio o Bimbo com o (What's the Story) Morning Glory? e aí, amigo, ferrou tudo, de lá para cá meu gosto musical e meu modo de encarar a minha nunca mais foram os mesmos.

    4. Live Forever

    Como se vê, eu andei para trás no caso do Oasis, primeiro conheci o segundo disco e depois fui apresentado ao primeiro, que é tão bom quanto - eu, pelo menos, não consigo eleger qual deles é melhor. Mas essa música, certamente, é uma das melhores, e foi uma importante trilha sonora numa fase bastante complicada da vida.

    3. Stand By Me

    Não esqueço nunca que, quando saiu o disco ao vivo em Wembley, que é muito bom mas não precisava ser duplo, o Lúcio Ribeiro escreveu que essa música valia uma vida. Não é pra tanto, mas é sensacional.

    2. The Masterplan

    Faixa-título que encerra a genial coletânea de lados B, é linda demais e não tem o Noel pra encher o saco.

    1. Whatever

    Esse vídeo é sintomático da relação entre os irmãos Gallagher, que brigam sabe-se lá o porquê no meio da música - eu tenho a impressão de que o Liam estava no tom errado, mas não consegui entender. De qualquer forma, se o Oasis não tivesse feito mais nada, só por essa música já valeria a existência da banda.

    Abaixo o saudosismo

    Uma coisa irritantemente unânime no relato do clássico de domingo é dizer que o jogo foi "chocho", "sem graça", "sem emoção" e tudo o mais, só porque o jogo foi 0 a 0. Um discursinho safado de quem mal viu o jogo, ou simplesmente o viu com aqueles olhos de viúva do futebol-arte, de gente que não consegue valorizar a beleza que pode existir num jogo duro e disputado, mesmo que ele termine um 0 a 0.
    O Barneschi tem a tese dele, de que essas pessoas não veem o jogo com olhos de torcedor. É uma opinião e eu concordo parcialmente com ela, mas, para mim, o problema é mesmo esse saudosismo que boa parte da crônica esportiva nacional tem do que não viu. Ou, na real, do que nunca existiu de fato.
    Assim, os caras se queixam de que o jogo foi muito truncado e sem lances de efeito, como se Pelé só tivesse tocado na bola de calcanhar, Zico tivesse batido todas as suas faltas na gaveta e Carlos Alberto Torres tivesse afastado todos os marcadores sem fazer uma faltinha sequer. São os mesmos que enaltecem o futebol-arte de Telê Santana e se esquecem de que o "Mestre" (aspas, por favor) só deixou de ser um perdedor pé-frio e virou "Mestre" (aspas, muitas aspas) quando se deu conta de que um meio-de-campo precisa também de Dinhos e Pintados, e que não se ganha Copa do Mundo só com Falcões e Cerezos.
    Não se trata aqui de incensar brucutus em detrimento da beleza. É claro que eu gosto de ver futebol bem jogado, que acho o Diego Souza mais jogador do que o Pierre e que adoraria ver meu time ser campeão com 100% de aproveitamento e média de 4 gols por partida. Mas é preciso saber valorizar também a competitividade, a disputa, o equilíbrio, e ver que espetáculo não é só firula, chapéu e pedalada.
    O que eu achei do jogo? Só pra constar, já que já se passaram dois dias, achei que o primeiro tempo foi bem bom, agitado, com o Palmeiras melhor no começo e o São Paulo reequilibrando a partir dos 20 minutos, não por coincidência na hora em que o Marcão entrou no Palmeiras. E que no segundo tempo a coisa realmente ficou mais feia, porque, bobo que não é, o Muricy viu que eles estavam levando vantagem no meio-de-campo e decidiu mocosar o jogo para garantir um empate que, se não era o nosso resultado dos sonhos, era muito melhor para nós do que para eles.
    É preciso levar tudo isso em conta, não? Quantas decisões de Brasileiro não terminaram 0 a 0, inclusive na saudosa, querida e idoltrada década de 70, e nem por isso esses times foram menos aclamados. Questão de contexto: clássico, rivalidade exacerbada por conta da questão Muricy, classificação aproximada, era óbvio que esse jogo não ia ser 5 a 4 pra ninguém. Louco era quem pensava isso.
    Faz parte do espetáculo. Na íntegra, nos 90 minutos, nem a seleção de 70 foi a Seleção de 70, com caixa alta. Então, saudosistas ranzinzas de videotape, encham menos o saco e guardem todo esse mau humor para quando ele for realmente justo. No clássico de domingo, não era o caso.

    No limite

    Na minha cabeça de torcedor eternamente otimista, eu tinha certeza de que os jogos contra Botafogo e Coritiba seriam difíceis, mas eram seis pontos certos, e serviriam para deixar o time na ponta dos cascos para enfrentar as duas finais reservadas para o Palmeiras no começo do segundo turno, contra o Inter e o São Paulo.
    Como sabemos, não deu absolutamente nada certo: o time fez duas partidas horríveis, daquelas atuações que tirar o direito de reclamar da arbitragem, e somou apenas um pontinho, deixando os adversários chegarem perto e acabando com a popular "gordura".
    Agora estamos no limite da liderança (que pode até ir para o Goiás hoje à noite), e nada mais sintomático para um time que joga o tempo todo no limite: tirando o jogo contra o Avaí, que foi um 3 a 0 no mole, o Palmeiras não fez uma partida tranquila em todo o campeonato, desde os tempos do profexô, passando pela interinidade do Cantinflas e pelo começo do Muricy e as vitórias por 1 a 0 sobre o Fluminense e o Sport, essa gol um gol contra bizarro.
    Além disso, o Palweiras joga no limite das possibilidades de seu time titular, que já não é grandes coisas: os laterais são fraquíssimos, um dos zagueiros comete falhas contumazes (uma por jogo, contabiliza o Parmerista, e os atacantes são, em CNTP, sofríveis. Sem Pierre, Diego Souza ou Cleiton Xavier (atenção, eu disse "ou", e não "e"), a coisa se complica ainda mais.
    Mesmo assim, eu e meu otimismo incorrigível continuamos acreditando que o título é possível - pelo menos até os dois próximos jogos, menos mal que a "hora da verdade" dos confrontos diretos desta vez veio antes, e não nas rodadas finais como no ano passado.
    Do lado de cá, fora do campo, o que nos resta é torcer. É o que sabemos fazer, muito bem, e é o que continuaremos fazendo. Que dentro de campo correspondam a essa torcida, já estaremos agradecidos.

    ***

    Dois toques rápidos, assuntos a desenvolver nos próximos dias:

    1. Arbitragem: Se há o que reclamar do pênalti, o Coxa poderia reclamar, por sua vez, das duas bolas na mão do Marcão, ambas bem marcáveis, especialmente se o juiz resolvesse cumprir a popular regra 18: na dúvida, pró-time da casa. A questão é que as arbitragens estão cada vez mais péssimas e eu não aguento mais passar segundas e quintas discutindo cagadas de juízes. Urge, pra ontem, que a arbitragem seja profissionalizada. Se jogadores, técnicos e profissionais da saúde são bem pagos e cobrados, que os juízes sejam bem pagos e cobrados, pelo bem do espetáculo que conduzem.

    2. A camisa azul: eu achei feia, assim como já tinha achado feia a camisa amarela. A camisa do Palmeiras é verde, foi asim que eu aprendi a torcer, e é assim que eu pretendo ensinar ao Davi. E esse azul, por mais que falem em marketing e em sedução à Itália por conta da Copa de 2014, me parece muito mais um italianismo preocupante e perigoso, que, na pior das hipóteses, pode nos tornar uma nova Portuguesa daqui a 30 anos - ou menos. Eu não quero acabar igual ao Flávio Gomes, pelo menos nesse aspecto.

    Cada vez pior

    Eu ainda me reservo no direito de achar que congestionamento às 6 horas da manhã é um absurdo, mas está ficando cada vez mais difícil brigar com a realidade. Desde o início do meu novo emprego, na semana passada, eu considerava que uma das vantagens de bater o cartão (pela primeira vez literalmente) às 7 da manhã era o fato de poder chegar a São Paulo antes de o bicho pegar no trânsito.
    O fato, no entanto, é que essa minha ideia já virou lenda. Eu comecei a pegar o Cometa das 5 horas com o objetivo de chegar à Barra Funda por volta das 6h30, e assim caminhar tranquilamente até a empresa, com direito a eventuais paradas para um café com pão na chapa em algum dos diversos botecos das redondezas, a fim de acordar pra valer.
    (Aqui, um parêntese: eu acordo por volta das 4 da manhã e tomo banho antes de sair de casa, mesmo no inverno, e ando por cerca de 20 minutos até o ponto onde pego o ônibus. Mesmo assim, evito comer antes de sair para considerar que o dia só vai começar, mesmo, a partir da hora em que eu desço do ônibus na Barra Funda.)
    A verdade, no entanto, é que a tendência seja sempre como aconteceu hoje: quando começa a chegar ali no fim da marginal pedagiada da Castello, na entrada/saída de Osasco e na chegada ao Cabolão, para tudo. É inacreditável: são 6 da manhã, o dia ainda está escuro, e a hora do rush já começou.
    Chegamos então à triste conclusão: São Paulo vive uma era do rush permanente, e o que existe é a hora do anti-rush - que começa por volta das 21h e acaba lá pelas 5h30 da manhã, na qual é possível trafegar pelas principais vias com alguma fluência. Fora disso, prepare a sua paciência.
    E nosso dileto presid... digo, governador, acha que a solução està em alargar as marginais. Eu espero muito estar errado, mas duvido que isso vá resolver. O negócio vai ser sair de casa cada vez mais e mais cedo - até o dia em que a gente vai abdicar de vez dessas besteiras como casa, família, vida pessoal, para morar de uma vez no local de trabalho.
    Espero não estar vivo quando esse dia chegar.

    Empurra!

    Empurrar um carro de madrugada não é algo que seja novo para mim, basta lembrar que lá em Bauru, há uns trocentos anos atrás, eu e mais uma galera ficamos lá na faculdade num show do Mundo Livre S.A. e pegamos carona com uma professora. Só que o combustível do carro dela acabou, e nós ajudamos a empurrar até chegar num posto numa baixada (detalhe que o carro era um Corcel bem velho, e a professora era bem gorda, mais que eu).
    Hoje aconteceu de novo, mas, obviamente, num contexto totalmente diferente. Depois de uma noite de relativa tranquilidade, na qual o Davi só acordou três vezes, saí de casa por volta das 4h30 com a meta de pegar o Cometa das 4h45. Os pés faziam o trajeto tradicional, quase que por osmose, quando, passando na frente do bar/boate/sei lá o que que geralmente está bombando a essa hora, mais para o fim da semana, um tiozinho empurrando um Chevette me chama:
    - Amigão, dá pra tentar ajudar aqui no tranco?
    "Que droga, vou perder o das 4h45", pensei, mas mesmo assim atravessei a rua para ajudar o tiozinho. O Chevette era de um ano entre 87 e 92, pelo modelo, mas parecia ter uns 30 anos, com direito a uma passagem pelo Haiti, de tão detonado que estava: sem para-choques, com o capô desencaixado e um cheiro danado de álcool - motivo óbvio pelo qual o motorista não conseguia fazer o carro pegar naquele frio.
    Empurramos uma vez, não deu certo. Na segunda, o carro pegou e o tiozinho acelerou fundo e foi-se embora sabe-se lá para onde - se ele parasse para agradecer, certamente o motor morreria de novo.
    Acabei, como esperava, perdendo o Cometa, mas não fez diferença: peguei o das 5 e descobri que o anterior era via Éden, ou seja, dá um rolê extra e acaba chegando à Barra Funda depois. Mas valeu a experiência bizarra de empurrar um carro em plena madrugada e recordar uma aventura de 12 anos atrás.

    Tudo muda

    São nove meses de ansiedade e expectativa. No nosso caso, medo, um pouco de angústia, descolamento de placenta pra cá, onfalocele pra cá, um monte de palavras complicadas, medo, expectativa, tensão e ansiedade, até que chegou o dia 9 de julho e tudo correu maravilhosamente bem. E, no momento em que você ouve o primeiro choro, você percebe que sua vida nunca mais será a mesma.

    E como muda. Muda o seu jeito de encarar a vida, o seu desejo de ir logo embora do trabalho para chegar alguns minutos mais cedo em casa, mesmo que seja apenas para olhar para ele enquanto dorme.

    E como dorme. E a gente, que é pai tonto de primeira viagem, fica às vezes tão assustado com tamanho silêncio que resolve dar uma olhada mais de perto e até uma mexidinha no nariz pra ver se não tem nada de errado com o bichinho.
    Mas também tem as horas que ele não está dormindo. E aí, são grandes as chances de ele estar chorando. Berrando, melhor dizendo. Um choro contínuo, alto, forte, que assusta, porque sem o menor motivo ou explicação - pelo menos para quem não entende a linguagem dos bebês. Pode ser gases, cólica, fome, frio, dor de ouvido - pode ser qualquer coisa, mas criança não vem com manual de instruções ou partitura, do tipo "Choro em Lá, fome; choro em ré menor, frio; choro em fá sustenido, cólica". E haja agonia e desespero até que, do nada, como se de repente um botão on/off tivesse sido apertado, ele para de chorar e dorme de novo, como um perfeito anjinho.

    Mas o mais importante que eu já consegui descobrir neste mês que se passou desde a chegada do Davi é que basta um pequeno olhar, como esse acima, com esses olhinhos lindos como os da mãe, para ver que minha vida nunca mais será a mesma; e que, por mais problemas, dificuldades, transtornos e confusões que aconteçam, ela sempre será melhor do que antes.

    E vamo que vamo

    Bom, consegui deixar este blog mais ou menos na cara que eu queria, apesar de a imagem ter sido feita mal-e-porcamente no Photoshop e ter resolvido cair três mirréis à direita, de ainda não ter conseguido deixar pronto o portfólio (que foi a principal razão de ser da mudança) e de ter levado muito mais tempo que eu queria.
    De qualquer forma, agora minhas ações na blogosfera se concentram neste blog, enquanto o "Notas de Viagem" paralelo, no Wordpress, ficará lá até ser carcomido pelas traças virtuais (fato é que seus posts, quase todos, foram importados para cá, com comentários e tudo). E, para quem não percebeu, agora o domínio é próprio. A partir deste fim de semana, devemos enfim retornar à programação normal - se é que é possível haver normalidade com um bebê de um mês em casa.
    E vida que segue.

    Em obras 2

    Não, eu não abandonei este blog. Aguardem e confiem.

    Update: A imagem de entrada já mudou, mas é provisória. E os posts do "Notas de viagem", que foi feito no Wordpress, já foram importados. Vamos em frente.

    O que quer Luxemburgo?

    Vou ter que escrever em tópicos, porque estou tão irritado e puto que nem tem como concatenar um texto decente, pelo menos não agora - a irritação é tanta que, por alguns momentos, eu cheguei a torcer pela virada do Nacional, só pra ver o circo definitivamente pegar fogo. E nem dormir eu consegui, tanto que tive de ligar o computador pra descontar minha fúria nas palavras.
    ***
    Então, vamos lá, o que está pensando o Luxemburgo da vida? Tá forçando a barra, quer ser demitido e levar a multa rescisória? Ou quer simplesmente ser consagrado como o gênio das mudanças táticas durante o jogo?
    ***
    Pela primeira vez em muito tempo eu concordei com o Rizek: se ganhasse, o Luxemburgo ia se arvorar o gênio. Mas, porra, mudar aos 30 minutos do primeiro tempo, sem contusão nenhuma e com o placar em 0 a 0, é óbvio que o cara percebeu a enorme MERDA que fez ao escalar o time e tentou consertar.
    ***
    Tava na cara que ele ia queimar o Keirrison no segundo tempo, só achei que fosse para a entrada do Ortigoza. Mas não, o time estava ganhando e o gênio dos R$ 500 mil mensais resolveu colocar o Jumar. Tudo bem, eu não achei ruim ele recompor o meio, mas tiraria o Diego Souza, que até fez o gol, mas não estava jogando porra nenhuma e várias vezes se escondeu ali na ponta-esquerda. Mas aí, com três zagueiros e dois volantes, o time me toma um gol numa bola alçada na área, nas costas da defesa.
    ***
    E aí entra uma coisa que eu venho notando nas últimas semanas e comento sempre lá na Agência: Marcão. Já repararam que o nosso careca-cabeludo está presente a um raio de 2 metros de TODOS os jogadores que marcam gol contra o Palmeiras? Foi assim no gol do Sport no jogo dos pênaltis, em que ele não acompanha o Wilson; no gol do Inter, em que ele fica olhando o Danny Morais dominar a bola; e é só recuar no tempo que vamos percebendo isso, até o já imortalizado gol do Ronaldo em Presidente Prudente, no qual ele comete o erro mais-que-primário de olhar pra bola sem perceber o Gordo fungando em seu cangote. Caramba, quem foi o IDIOTA que contrata um sujeito assim?
    ***
    Voltando ao Diego Souza, que eu citei acima: tô cansado, farto mesmo, de jogador que só joga pra torcida, e não pro time. Tudo bem, ele é bom de bola, sabe chutar e tudo o mais. Só que amarra todas as jogadas, atrasa os contra-ataques, prende a bola como o nada saudoso Mirandinha (o Fominha, ex-técnico do Fortaleza, é preciso ter mais de 25 anos pra lembrar dele) e dá um carrinhos aloprados pra ganhar a massa, enquanto o Keirrison, que não é marqueteiro e está completamente sacrificado por esse esquema estúpido com um só atacante, acaba queimado com a torcida. Patético. O Palmeiras precisa de um ídolo que mostre muito mais do que isso.
    ***
    Da mesma forma, é sacanagem cornetar o Marquinhos. O cara está jogando fora de posição e completamente largado ali na direita - culpa inclusive do citado acima Diego Souza e do Cleiton Xavier, que devia aparecer pra tabelar e ficou marcando o grande círculo durante boa parte do segundo tempo.
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    Não é tão difícil assim, porra. Na única vez em que os atacantes de aproximaram e saiu tabela no primeiro tempo, o Keirrison bateu aquela bola raspando. No segundo, saiu o gol. Não precisa nem desenhar de tão fácil e óbvio.
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    Ainda dá pra classificar, é claro, mas ficou muito mais difícil e sofrido. E não precisava ser assim, né, profexô?
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    Update da coletiva: o safardana ainda tem a cara-de-pau de reclamar que a torcida não incentiva e corneta. "Tem que fazer como faz a torcida do Inter, o Sport". Tá na cara que ele tá querendo criar um climão pra ganhar o bilhete azul e, logo, a multa rescisória. Prejuízo à parte, vai ser maior o prejuízo se formos eliminados por causa desse beócio. Por isso, rua!
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    Juro que queria ter o otimismo e a incrível tranquilidade do Seu Cruz neste post, mas tá bem difícil.
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    Mais um update, a versão consolidada desses rabiscos está no Impedimento.

    Notas de viagem, por Fernando Cesarotti